Justiça Eleitoral mandou retirar três vídeos publicados por Ricardo Salles e aplicou multa de R$ 5 mil durante a disputa ao Senado em São Paulo.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a retirada de três vídeos publicados pelo candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo) com declarações sobre André do Prado (PL), ex-prefeito de Guararema e também candidato ao Senado por São Paulo. A decisão, tomada em 15 de setembro de 2026, determinou que os conteúdos fossem removidos das redes sociais e proibiu a republicação dos materiais. Além disso, Salles foi condenado ao pagamento de multa de R$ 5 mil. (Folha de S.Paulo)
A decisão ganhou repercussão por envolver alegações relacionadas ao período em que André do Prado esteve à frente da Prefeitura de Guararema. Segundo o TRE-SP, entretanto, os documentos analisados no processo não sustentavam algumas das relações apresentadas nas declarações de Salles. A Justiça Eleitoral também avaliou outra afirmação envolvendo um ex-assessor parlamentar de Prado e sua filha, considerando que a cronologia dos acontecimentos não confirmava a relação apresentada pelo candidato. (Folha de S.Paulo)
TRE-SP determina retirada de três vídeos publicados por Salles
A representação que deu origem à decisão foi apresentada por André do Prado depois de declarações feitas por Ricardo Salles durante uma entrevista concedida ao portal Metrópoles em 1º de setembro. Trechos da entrevista foram posteriormente publicados de forma separada no YouTube, YouTube Shorts e Instagram Reels. O TRE-SP determinou que essas três versões fossem retiradas das plataformas no prazo de 24 horas e proibiu que o material fosse republicado. (TMC)
Entre os pontos analisados pela Justiça Eleitoral estavam declarações de Salles que relacionavam André do Prado a supostas investigações sobre contratos e recursos públicos durante sua passagem pela Prefeitura de Guararema. De acordo com a decisão, os documentos apresentados no processo tratavam de questionamentos administrativos relacionados a contratos, mas não indicavam a existência de investigação policial ou do Gaeco contra Prado pelos crimes mencionados nas declarações. (Folha de S.Paulo)
O tribunal também analisou uma segunda afirmação feita por Salles, relacionada a um ex-assessor parlamentar de Prado e à filha desse ex-assessor. Segundo a decisão, os registros funcionais apresentados no processo não sustentavam a relação estabelecida na fala do candidato. A Justiça apontou que a filha já trabalhava na Prefeitura de Suzano desde 2013, enquanto os crimes atribuídos posteriormente ao pai somente vieram a público anos depois. (CNN Brasil)
Além da determinação de retirada dos vídeos, a decisão estabeleceu multa de R$ 5 mil contra Salles por propaganda eleitoral irregular. O candidato, por sua vez, contestou a decisão e afirmou que pretende recorrer, sustentando que suas declarações tinham como base documentos do Tribunal de Contas e reportagens jornalísticas. (Folha de S.Paulo)
Decisão envolve acusações relacionadas à gestão em Guararema
A relação de André do Prado com Guararema aparece diretamente em um dos pontos analisados pelo TRE-SP. O atual candidato ao Senado foi prefeito do município, e as declarações questionadas por Salles faziam referência a supostos problemas envolvendo contratos e recursos públicos durante esse período. A Justiça Eleitoral, contudo, diferenciou os questionamentos administrativos existentes das acusações de investigação criminal apresentadas nos vídeos. (Folha de S.Paulo)
Segundo informações apresentadas na decisão, os documentos analisados envolviam apontamentos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo sobre contratos da administração municipal, incluindo questões relacionadas a transporte escolar e aquisição de alimentos. O TRE-SP entendeu que esses registros não permitiam afirmar que existia uma investigação criminal ou do Gaeco contra Prado pelos crimes citados por Salles. (Claudio Dantas)
A decisão também examinou a cronologia envolvendo o ex-assessor parlamentar e sua filha. Conforme os registros mencionados pelo tribunal, o ex-assessor trabalhou na Assembleia Legislativa de São Paulo entre dezembro de 2013 e abril de 2022, enquanto a filha já trabalhava na Prefeitura de Suzano desde 2013. A denúncia contra o pai ocorreu somente em novembro de 2022, circunstância utilizada pela Justiça Eleitoral para avaliar a consistência da relação apresentada na propaganda. (CNN Brasil)
O episódio coloca Guararema no contexto de uma disputa eleitoral estadual que envolve dois candidatos ao Senado por São Paulo. Embora a controvérsia tenha origem em declarações feitas durante a campanha, a decisão do TRE-SP tratou especificamente dos conteúdos publicados nas redes sociais e das informações que, segundo a Justiça, não estavam sustentadas pelos elementos apresentados no processo. (Folha de S.Paulo)
Metrópoles não foi responsabilizado pela Justiça Eleitoral
A decisão do TRE-SP também analisou a participação do portal Metrópoles, responsável pela entrevista em que as declarações foram feitas. Nesse ponto, a Justiça Eleitoral não determinou a retirada da entrevista completa nem aplicou punição ao veículo. O entendimento foi de que o portal estava exercendo sua atividade jornalística ao realizar e publicar a entrevista. (CNN Brasil)
A determinação ficou restrita aos trechos editados que foram publicados separadamente nas plataformas digitais. Para o tribunal, os recortes poderiam circular de maneira isolada e sem o contexto da entrevista completa, razão pela qual foi determinada a retirada dos vídeos específicos. Google Brasil e Facebook Serviços Online do Brasil também foram comunicados para cumprir tecnicamente a ordem judicial. (TMC)
Ricardo Salles contestou a decisão e afirmou que pretende recorrer. Em sua manifestação, o candidato sustentou que parte dos fatos mencionados por ele tinha relação com documentos e decisões anteriores, embora a Justiça Eleitoral tenha entendido que as conclusões apresentadas nos vídeos extrapolaram o conteúdo dos documentos analisados. (Folha de S.Paulo)
O caso segue inserido no cenário eleitoral de 2026 em São Paulo e tem repercussão para Guararema porque parte das acusações analisadas pelo tribunal estava relacionada à administração municipal durante o período em que André do Prado foi prefeito. A decisão, entretanto, deve ser compreendida a partir dos limites estabelecidos pelo próprio TRE-SP: a Justiça determinou a remoção dos três vídeos e aplicou a multa, enquanto a entrevista completa permaneceu fora da ordem de retirada. (CNN Brasil)
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