Ex-prefeito de Guararema aparece em empate técnico na corrida pelo Senado, ampliando a atenção sobre sua trajetória política no Alto Tietê.
A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado ganhou um componente especialmente relevante para Guararema nesta reta da campanha eleitoral de 2026. André do Prado (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), nasceu no município e construiu parte importante de sua trajetória política na cidade antes de chegar ao Legislativo estadual. Agora, pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram o candidato inserido em uma corrida bastante competitiva, com diferentes levantamentos apontando proximidade entre os principais nomes. (UOL Notícias)
Para o morador de Guararema, a principal dúvida é o que uma eventual eleição de André do Prado para o Senado poderia representar para a cidade e para o Alto Tietê. A resposta passa pelo papel desempenhado pelos senadores, que votam projetos nacionais, fiscalizam o governo federal, analisam indicações para cargos importantes e participam da definição do Orçamento da União. Também passa pelo discurso adotado pelo próprio candidato, que vem colocando o municipalismo e a interlocução com prefeitos entre os pontos centrais de sua campanha. (Folha de S.Paulo)
O que as pesquisas mostram sobre André do Prado na disputa pelo Senado
A pesquisa RealTime Big Data divulgada em 24 de agosto mostra uma corrida apertada pelas duas cadeiras paulistas no Senado. Considerando as intenções consolidadas de primeiro e segundo votos, Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL) e Marina Silva (Rede) aparecem em situação de empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento entrevistou 2 mil eleitores por telefone entre 19 e 22 de agosto e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-01347/2026. O resultado reforça que ainda não existe uma definição clara sobre quais candidatos conseguirão conquistar as duas vagas disponíveis pelo estado. (UOL Notícias)
Outros levantamentos recentes também ajudam a dimensionar o cenário. O Datafolha divulgado em 21 de agosto apontou Marina Silva e Simone Tebet com 12% cada, André do Prado com 10%, Guilherme Derrite com 7% e Ricardo Salles (Novo) com 6%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, Prado aparecia tecnicamente empatado com as duas primeiras colocadas naquele levantamento. A pesquisa ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas nos dias 18 e 19 de agosto e mostrou ainda um elevado grau de indefinição, com 14% dos entrevistados indecisos e 21% declarando intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum candidato. (Folha de S.Paulo)
Já o Paraná Pesquisas, divulgado em 19 de agosto, apresentou números diferentes devido à metodologia e à forma de contabilização dos votos. Simone Tebet apareceu com 31,1%, Marina Silva com 30,1%, Guilherme Derrite com 28,2%, Ricardo Salles com 19,7% e André do Prado com 16,8%. O instituto entrevistou presencialmente 1.680 eleitores em 80 municípios entre 16 e 18 de agosto, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. As diferenças entre pesquisas não devem ser interpretadas isoladamente como crescimento ou queda automática de um candidato, porque institutos podem utilizar metodologias e formatos distintos para medir uma eleição em que cada eleitor paulista escolherá dois senadores. (UOL Notícias)
Por que a candidatura de André do Prado chama atenção em Guararema
A relação de André do Prado com Guararema vai muito além de seu local de nascimento. Ele iniciou a carreira política em 1992, quando foi eleito vereador do município, conquistou a reeleição quatro anos depois e chegou à presidência da Câmara Municipal. Em 2000, tornou-se vice-prefeito e secretário municipal de Saúde e, posteriormente, foi eleito prefeito de Guararema em 2004, permanecendo no cargo até 2008. Depois da experiência municipal, ampliou sua atuação para o estado, acumulou quatro mandatos consecutivos como deputado estadual e assumiu a presidência da Alesp em 2023. (TMC)
Essa trajetória ajuda a explicar por que a eleição para o Senado pode despertar interesse especial entre moradores da cidade. Guararema tem pouco mais de 30 mil habitantes e está inserida no Alto Tietê, região que frequentemente depende da articulação entre municípios, Governo do Estado e União para projetos de infraestrutura, mobilidade, saúde, saneamento, turismo e desenvolvimento econômico. Um senador não administra diretamente esses serviços e tampouco pode garantir sozinho recursos federais para uma cidade, mas participa das decisões orçamentárias e políticas que influenciam programas executados nos municípios. Por isso, acompanhar propostas concretas para Guararema e para o Alto Tietê é mais útil ao eleitor do que considerar apenas a origem geográfica dos candidatos.
O próprio André do Prado tem usado sua experiência municipal como elemento da campanha. Em agosto, ele iniciou uma estratégia de aproximação com prefeitos e vereadores de centenas de cidades paulistas e afirmou que pretende atuar como interlocutor dos municípios no Congresso Nacional caso seja eleito. Segundo o candidato, questões como queda de arrecadação e crescimento das despesas municipais aparecem entre as preocupações apresentadas por gestores locais. A estratégia dialoga diretamente com sua bandeira de municipalismo, mas caberá ao eleitor avaliar durante a campanha quais propostas são acompanhadas de mecanismos concretos, fontes de recursos e possibilidades reais de implementação. (Folha de S.Paulo)
O que um senador pode fazer por Guararema e pelo Alto Tietê
Embora uma campanha estadual possa parecer distante dos problemas cotidianos de Guararema, decisões tomadas no Senado chegam aos municípios de diferentes maneiras. Senadores participam da elaboração e votação de leis federais e do Orçamento, além de discutirem políticas relacionadas a saúde, segurança, infraestrutura, educação, meio ambiente e desenvolvimento econômico. Para uma cidade com características turísticas e ambientais como Guararema, temas envolvendo preservação da Mata Atlântica, saneamento, mobilidade regional, financiamento municipal e desenvolvimento do turismo podem ter reflexos locais. O Senado também exerce funções exclusivas importantes, como analisar determinadas autoridades indicadas pelo presidente da República e julgar processos previstos pela Constituição.
A campanha de André do Prado indica que saúde e segurança pública devem estar entre suas prioridades, além da defesa de políticas voltadas aos municípios. Em entrevista concedida durante a campanha, o candidato afirmou que pretende trabalhar também com desenvolvimento econômico e outras políticas públicas e destacou sua experiência em cidades menores como uma característica de sua atuação. Essas declarações representam compromissos de campanha e, portanto, precisam ser acompanhadas pelo eleitor ao longo do processo eleitoral e, caso o candidato seja eleito, comparadas posteriormente com sua atuação parlamentar. (Folha de S.Paulo)
Para Guararema, uma das questões relevantes será observar se a ligação histórica do candidato com o município será traduzida em propostas específicas para problemas enfrentados pela região. Isso inclui verificar posições sobre repasses federais aos municípios, financiamento do SUS, segurança, infraestrutura, proteção ambiental e geração de emprego, além de acompanhar como cada candidato pretende representar cidades pequenas e médias dentro de um estado com mais de 44 milhões de habitantes. A eleição para senador também merece atenção porque o mandato dura oito anos, período significativamente maior que os quatro anos dos mandatos de prefeito, governador e presidente.
A presença de um ex-prefeito de Guararema entre os candidatos competitivos ao Senado coloca o município em uma posição incomum no cenário eleitoral paulista de 2026. Os levantamentos divulgados até 24 de agosto indicam uma disputa ainda aberta, e o elevado número de eleitores indecisos registrado em algumas pesquisas mostra que o quadro pode mudar durante a campanha. (UOL Notícias)
Para quem vive em Guararema, acompanhar essa eleição significa olhar além da ligação do candidato com a cidade. Propostas, histórico de atuação, prioridades para os municípios e capacidade de transformar compromissos eleitorais em políticas públicas são critérios importantes para avaliar André do Prado e seus adversários. Até a votação, novos debates e pesquisas deverão oferecer mais elementos para que o eleitor compare os candidatos às duas vagas paulistas no Senado.

