Paulo Roberto Gomes Fernandes avalia que o reconhecimento dado a um trabalho da Transpetro na International Pipeline Conference de 2014, em Calgary, continua relevante porque traduziu um desafio recorrente em método: risco em ativos lineares não se administra com resposta genérica, e sim com diagnóstico, hierarquização e intervenção proporcional. Em 2026, o fato de o estudo ter sido eleito como um dos destaques da conferência segue sendo um indicativo de maturidade técnica, principalmente por transformar decisões de integridade em critérios verificáveis e replicáveis.
O foco do projeto recaiu sobre cruzamentos entre dutos e infraestruturas viárias, como rodovias e ferrovias, pontos onde a sensibilidade operacional costuma aumentar por causa do fluxo de pessoas, máquinas e obras no entorno. Nesse contexto, o case passou a ser citado porque enfrentou um risco frequente, a interferência externa, com uma lógica de governança que organiza dados, prioriza ações e reduz subjetividade na alocação de recursos.
Por que cruzamentos viários concentram risco e elevam a exposição
Cruzamentos tendem a reunir múltiplos fatores de vulnerabilidade ao mesmo tempo. Mesmo quando o duto está enterrado, obras de manutenção de pista, drenagem, duplicações e intervenções de concessionárias podem alterar a cobertura, modificar condições do solo e aumentar o risco de impacto mecânico. Como observa Paulo Roberto Gomes Fernandes, o mérito do estudo foi tratar esses pontos como unidade específica de análise, em vez de diluir a gestão de risco em uma visão homogênea de toda a malha.
Além disso, a dinâmica do entorno muda com frequência. Um trecho que hoje parece estável pode se tornar crítico após a instalação de um novo acesso, uma obra pública próxima ou a intensificação do tráfego pesado. Por conseguinte, a gestão de integridade precisa reconhecer que cruzamentos não são “pontos fixos”, mas ambientes que exigem acompanhamento estruturado, com atualização periódica e rastreabilidade de decisão.
Inventário detalhado e critérios técnicos para classificar criticidade
A metodologia apresentada partiu de um inventário amplo dos cruzamentos existentes, criando uma base de dados capaz de sustentar decisões de manutenção e proteção. Dessa forma, a classificação deixou de depender de impressões isoladas e passou a se apoiar em variáveis técnicas, permitindo separar “pontos de atenção” de “pontos críticos” com consequências diretas para orçamento e planejamento.

Entre os critérios utilizados, entram elementos como profundidade do duto, tipo de proteção mecânica, cobertura disponível e características da superfície. Segundo a avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a força desse modelo está em transformar variáveis dispersas em uma leitura comparável, útil para escolher onde agir primeiro e para justificar tecnicamente por que um cruzamento entra, ou sai, do grupo de maior criticidade ao longo do tempo.
Intervenções proporcionais ao risco e governança contra ações de terceiros
Em redes extensas, o desafio não é apenas identificar vulnerabilidades, mas definir resposta proporcional. Intervenções padronizadas em toda a malha podem desperdiçar recursos e, ao mesmo tempo, falhar em pontos onde a consequência de um evento seria mais severa.
Outro ponto relevante foi a atenção à interferência externa, frequentemente associada a obras de terceiros na faixa ou nas proximidades, sem coordenação adequada. Conforme sustenta Paulo Roberto Gomes Fernandes, a gestão de risco se fortalece quando combina engenharia e governança: controle de informação, protocolos de comunicação, inspeções orientadas por criticidade e mecanismos para acompanhar mudanças no entorno.
Por que o reconhecimento continua atual em 2026
Mesmo mais de uma década depois, os princípios do case permanecem alinhados ao que se espera internacionalmente: governança de integridade, rastreabilidade de decisão e medidas proporcionais ao risco. Ainda assim, o valor maior está na lógica aplicada: mapear, classificar, priorizar e intervir com precisão, reduzindo incidentes e elevando a confiabilidade sem depender de respostas emergenciais.
Diante do exposto, Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que o legado do trabalho reconhecido em Calgary foi consolidar um caminho prático para tratar pontos críticos em malhas dutoviárias, com base em dados e critérios comparáveis. Em 2026, essa abordagem segue útil porque ajuda a proteger o meio ambiente, reduzir interrupções e sustentar uma operação mais previsível, especialmente onde cruzamentos viários se concentraram, e continuam concentrando, parte relevante da exposição a riscos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

